A finalização do telescópio James Webb, programado para substituir o já "ancião" telescópio Hubble, está sob forte ameaça do governo dos Estados Unidos que deseja cortar as verbas previstas para a Nasa para o próximo ano. O James Webb está em construção desde 2004, já consumiu mais de US$ 3 bilhões, estourou os prazos de conclusão e custaria quase três vezes mais do que o previsto inicialmente. Ele seria lançado após o fim das operações do telescópio Hubble, em órbita há 21 anos, mas agora corre o risco de nunca sair do solo terrestre e terminar como mais um projeto bilionário descartado pelos EUA no meio do caminho.
O telescópio é um dos projetos mais complexos já concebidos pelos engenheiros da agência espacial dos EUA, e orbitaria a milhões de quilômetros de distância da Terra, com o objetivo de responder perguntas a respeito das estruturas do cosmos. Entretanto, a má administração de recursos fez com que o projeto atrasasse anos e que seu orçamento aumentasse de US$ 1,6 bilhão para US$ 6,5 bilhões. Os gastos com o James Webb estão sendo tão altos que a revista científica americana Nature se referiu a ele como "telescópio que comeu a astronomia", já que diversos outros projetos da Nasa foram cancelados para que as verbas da agência se concentrassem na construção da nova ferramenta.
Prazos estourados e problemas técnicos.
Em 1º de julho de 2011, a Nasa anunciou a finalização dos espelhos do telescópio, parte essencial para o registro de imagens no espaço. Mas a data prevista para o término do James Webb é apenas setembro de 2018, quatro anos depois do primeiro prazo estabelecido que previa o término do equipamento para 2014. Agora, a maior ameaça ao telescópio é uma proposta a ser votada pelo congresso dos EUA que cortaria US$ 1,9 bilhão do orçamento previsto para a Nasa para o ano 2012. Sem este dinheiro, a agência se veria obrigada a cancelar o projeto. Se aprovada na votação ainda sem data agendada, a proposta ainda precisará passar pelo Senado.
Outros fracassos bilionários
Se cancelado, o James Webb entrará para a nada gloriosa lista de projetos bilionários abandonados pela metade nos Estados Unidos. Em 1993, o governo decidiu cancelar o desenvolvimento do Supercondutor Supercolisor, uma máquina semelhante ao Grande Colisor de Hádrons (o LHC, na Suécia), que seria construída no Texas e custaria US$ 11 bilhões. Ao deixar o projeto inacabado, os EUA permitiram que a Europa tomasse a dianteira no campo de pesquisas físicas, além de assumir a perda de mais de US$ 20 milhões gastos no que hoje são 60 km² de laboratórios e galpões desocupados e mais de 30 km de inúteis túneis no subsolo do Texas.





